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Do Poeta darkiniano - Augusto dos Anjos

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Do Poeta darkiniano - Augusto dos Anjos

Sobre o poeta dark, apreciado pelos góticos contemporâneos...Sobre a dor do amor e d'alma..Augusto dos Anjos.

Membros: 23
Última atividade: 10 Abr

Ecos d’Alma



Oh! madrugada de ilusões, santíssima,
Sombra perdida lá do meu Passado,
Vinde entornar a clâmide puríssima
Da luz que fulge no ideal sagrado!


Longe das tristes noutes tumulares
Quem me dera viver entre quimeras,
Por entre o resplandor das Primaveeras
Oh! madrugada azul dos meus sonhares;


Mas quando vibrar a última balada
Da tarde e se calar a passarada
Na bruma sepulcral que o céu embaça,


Quem me dera morrer então risonho,
Fitando a nebulosa do meu Sonho
E a Via-Láctea da Ilusão que passa!


Fórum de discussão

Nicéas Romeo Zanchett

GRITOS

Iniciado por Nicéas Romeo Zanchett 8. Set, 2008.

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Herculano Alencar Comentário de Herculano Alencar em 10 abril 2009 às 11:39
Execução
Herculano Alencar

Vai-se a luz da vida trás da morte,
qual procissão de filhos subalternos
às chamas flamejantes dos infernos,
que selam, cá na terra, antiga sorte.

A dor se faz premer inda mais forte
enquanto a guilhotina se levanta
e a lâmina pungente grita e canta
e anuncia à vértebra, o corte.

O riso do algoz ecoa ao céu
e pinta, no silêncio do réu,
a obra terminal da criação:

Entre a expectativa e o desejo,
a morte calmamente dá um beijo
e o sangue sai em busca do perdão.
Pedro Rodrigues Junior Comentário de Pedro Rodrigues Junior em 25 janeiro 2009 às 23:20
"A POEM A DAY KEEPS THE DOCTOR AWAY."

NÃO LEMBRO O NOME DO AUTOR.

OPEDRO RODRIGUES JUNIOR / NUNNO DORA!!!
Marcilio Medeiros Comentário de Marcilio Medeiros em 5 dezembro 2008 às 21:44
A MORTA

Marcilio Medeiros

seca
a porta
despida
fibra ante fibra
ocultando-se

cadáver
posto até quando
destroçar os veios
enxame de abelhas
descompactando-se
tim max Comentário de tim max em 20 novembro 2008 às 10:44
valeu herculano,um abraço
Herculano Alencar Comentário de Herculano Alencar em 20 novembro 2008 às 10:39
A matemática da morte
Herculano Alencar

O corpo entregou-se finalmente
à inercia das moléculas vitais!
O coração que já não bate mais
no peito estagnado do doente,

calado, espera a voz do veredito:
—Morreu! Não há um só sinal de vida!
A alma ri da própria despedida
e sai do corpo em busca do infinito.

Há uma inteligência soberana
por trás das aparências desumanas,
que criam-se da morte em nossa mente.

Pois é na matemática da morte
que cada um calcula a sua sorte
e o quanto mereceu ter sido gente.
Herculano Alencar Comentário de Herculano Alencar em 3 novembro 2008 às 22:35
Metáforas de um Niilista
Herculano Alencar

Eu sou um hematófago exangue
que já viveu momentos de pletora.
Sou o vampiro triste, que outrora
viveu de esbanjar amor e sangue.

A morte -minha dama e senhora-
trocou meu coração por um abraço.
Eu hoje já não sei mais o que faço,
se dei-lhe minha alma de penhora.

Vampiro, hematófago, poeta...
eu sou uma versão quase completa
do erro capital da criação:

Um ser, que à imagem e semelhança
do todo-poderoso, não alcança
nem mesmo o que lhe vem no coração.
Herculano Alencar Comentário de Herculano Alencar em 17 outubro 2008 às 0:44
Augusto dos anjos renegados

Herculano Alencar

Se pudesse fazer ressuscitar
em cada uma palavra a dor amiga,
decerto escreveria uma cantiga
co'as letras da palavra mais vulgar.

Seria uma cantiga para o mar!
Mas para um mar hostil e diferente:
O mar em que a lama afoga a gente
e os vermes vêm juntos festejar.

Se eu pudesse rir, riria junto
nos ombros do poeta, qual defunto,
em comoção de abutres na carniça.

E a morte -um verso escrito por Augusto-
lá estaria sim, a qualquer custo,
mercê da poesia, submissa!
Herculano Alencar Comentário de Herculano Alencar em 4 outubro 2008 às 20:39
Execução
Herculano Alencar

Vai-se a luz da vida trás da morte,
qual procissão de filhos subalternos
às chamas flamejantes dos infernos,
que selam, cá na terra, antiga sorte.

A dor se faz premer inda mais forte
enquanto a guilhotina se levanta
e a lâmina pungente grita e canta
e anuncia à vértebra, o corte.

O riso do algoz ecoa ao céu
e pinta, no silêncio do réu,
a obra terminal da criação:

Entre a expectativa e o desejo,
a morte calmamente dá um beijo
e o sangue vai em busca do perdão.
Marcilio Medeiros Comentário de Marcilio Medeiros em 4 outubro 2008 às 2:17
VOZES DA MORTE

Augusto dos Anjos

Agora, sim! Vamos morrer, reunidos,
Tamarindo de minha desventura,
Tu, com o envelhecimento da nervura,
Eu, com o envelhecimento dos tecidos!

Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos!
E a podridão, meu velho! E essa futura
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!

Não morrerão, porém, tuas sementes!
E assim, para o Futuro, em diferentes
Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,

Na multiplicidade dos teus ramos,
Pelo muito que em vida nos amamos,
Depois da morte inda teremos filhos!
Herculano Alencar Comentário de Herculano Alencar em 19 setembro 2008 às 23:07
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Herculano Alencar

Augusto, um poeta magistral,
se imortalizou como devia:
Doou, a todos versos que fazia,
o dom da sua verve genial.

Morria em cada verso no final,
para ressuscitar, em poesia,
o verbo que, de dor, se condoía
enquanto ensaiva o funeral.

Dos Anjos! Ostentava o sobrenome.
A morte aplacava-lhe a fome
e a dor, solene musa, a razão.

Augusto foi bem mais do que um vate.
Foi um penhor que Deus pagou à arte
para divinizar a criação.
 

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