Este desconcerto foi desconcertado pelo Guarda da Rodoviária - que também viria a trabalhar na "Rua". – José Raimundo é seu nome, filho de senhor Custódio...
Caos
I
Senão fosse concreto bater
Compassado
O coração a bater,
Sossegado
Como se afagaria a face da rosa
E sentir-se a ia mimosa
Ao correr
Sobre as suas pétalas os dedos da mão?
E a rosa enfim seria assim tão formosa
Se não rigorosa
Assim em seus aguçados espinhos?
II
Do caos nasce o esplendor
E também a luz,
Conquanto da paixão,
Gozo, prazer, dor,
Cego sentimento à razão calará
E daí é que não há de nascer o amor!
Do caos que reina no pântano sujo e poluído nasce o lótus,
Majestoso,
Mas não da fome e da miséria
Nasce além da guerra dos vivos mortos da terra
Qualquer coisa
Além dos votos dos mortos vivos
Na estufa das quimeras onde nascem
E aí se mantém perdidas
Tribos
Forjem-se
Turbas
E
Fazem-se as guerras
Dos mortos vivos.
III
E assim a paz em paz enfim, repousa!
Despertá-la, quem ousa?
Paz sem paz? é fogo, é morte, é lenha:
Mas quem afinal sem ela qualquer coisa ganha?
Blog de Julio Teixeira de Lima
Andei terra andei mar
Desci ao fundo de mim,
Mas só vi em meu andar
Guerrear e dor sem fim!
Andei a pé sem parar,
Tanto andei por aí!
Procurei sem encontrar
Nem coisas de amar eu vi!
Andei tanto para ver,
Só vi o que não queria:
Que humano de bom viver
Há muito cá não se via.
Do fundo subi então,
Ao alto subi de mim
A ver estrelas no céu
Flertar com Querubins...
Mas no céu nuvens escuras
Das queimadas florestas
Da terra tantas culturas
Em sepulturas abertas,
Que em pedaços com a cruz
Recort…
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Postado em 4 agosto 2009 às 14:37 ‚Äî